A bombinha para a asma

Os objetivos do tratamento da asma são: controlar todos os sintomas respiratórios; prevenir a limitação crônica ao fluxo de ar; garantir que o paciente realize todas as atividades normalmente, tanto na escola como no trabalho e ainda lazer e esportes; manter a função pulmonar normal ou a mais próxima possível da normalidade; evitar a ocorrência de crises, com idas ao pronto socorro e internações; reduzir a necessidade do uso de medicação de alívio; minimizar os efeitos colaterais da medicação empregada e prevenir a morte.
Como podemos observar, os objetivos do tratamento da asma são bastante amplos. Em nada correspondem a expectativa da maioria dos pacientes que preferem “reduzir a vida” a usar medicamentos diários.
O preconceito em relação aos remédios, os tabus sobre as bombinhas, enfim, as histórias de mal resultado são tão enraizadas na cultura do asmático que devemos ter muita paciência para explicar o motivo das lendas e assim, tentar desmenti-las Tratar asma é muito mais do que simplesmente prescrever o remédio certo. É conseguir envolver o paciente. É fazer com que ele realmente se comprometa com o bom andamento do tratamento.
O GRANDE OBJETIVO NO TRATAMENTO DA ASMA É ATINGIR A MELHOR QUALIDADE DE VIDA E A MELHOR FUNÇÃO PULMONAR POSSÍVEL, UTILIZANDO A MENOR DOSE DE MEDICAMENTOS, COM A MENOR CHANCE DE EFEITOS COLATERAIS.
Os medicamentos usados por via oral, ou seja, aqueles que tomamos, já são bastante conhecidos, portanto ninguém precisa explicar nem para uma criança o que é um xarope, gotas ou comprimidos. Quando eu prescrevo colírios ou pomadas também ninguém estranha. Agora, prescrever uma “bombinha”... Aí “a porca torce o rabo!” Os medicamentos inalados ainda sofrem muito preconceito, principalmente os sprays, as famosas bombinhas. Então, vamos deixar este assunto bem claro. A melhor maneira de atingirmos o objetivo acima, ou seja, tratar bem a asma é através dos medicamentos inalatórios. Quando inalado adequadamente, o remédio vai direto para os pulmões. Não precisa ser engolido, cair no estômago, ir para o sangue e só depois chegar nos pulmões. Pela boca, as doses devem ser bem maiores, pois neste caminho longo, a força vai sendo desperdiçada. E o remédio vai ficando um pouquinho aqui e ali, causando efeitos indesejáveis em locais que ele não deveria estar. Quando inalado, ele vai direto para o local desejado: o pulmão. Existem várias maneiras de inalar os medicamentos. Uma confusão muito comum é achar que “bombinha” é nome de remédio.
Por exemplo, o paciente chega à consulta e diz: “esta semana eu usei minha bombinha todos os dias”. Para mim isto soa da mesma forma que eu dizer ao paciente: “se você tiver febre, tome gotas e se tiver dor tome um comprimido”. Obviamente este paciente perguntaria: “gotas de que? Eu sempre pergunto: “bombinha de que?”, e ouço de volta: “bombinha é bombinha doutora!”. Será que conseguimos desfazer toda essa confusão? A melhor forma de usar os medicamentos para asma é a via inalatória. Para ser inalado, o remédio pode estar sob forma de partículas nebulizadas, o famoso e bem aceito inalador. Pode estar sob forma de spray nas tão faladas (injustamente mal faladas) bombinhas, ainda podem estar em pó seco e serem inalados em dispositivos diversos como turbohaler, diskhaler ou em cápsulas. Qual é a melhor? É aquela que o paciente aceita e se adapta melhor. O importante é entender que existem várias formas de inalar o remédio, mas se existe o medicamento por via inalatória, esta via deve ser sempre estimulada.
A MELHOR VIA PARA USAR OS MEDICAMENTOS DE ASMA É A INALATÓRIA. BOMBINHA NÃO É O REMÉDIO, É A MANEIRA DE USÁ-LO.
É extremamente comum o paciente ou seu familiar se recusar a usar uma bombinha e usar o mesmo medicamento em xarope e comprimido. O argumento é sempre o mesmo: “bombinha vicia”. Explico que bombinha não é o remédio e sim a caixa. Se o medicamento spray vicia, porque o mesmo remédio pela boca não teria o mesmo efeito? Depois, fazemos juntos os cálculos das doses empregadas por via oral e inaladas e chegamos a conclusão que a dose do xarope e do comprimido é quase 20 vezes maior que a da bombinha! Portanto, não existe nenhuma explicação lógica para o mesmo remédio ser maravilhoso em gotas para inalar, bom em xarope ou comprimido e mortal em bombinha.
BOMBINHAS NÃO MATAM.
ASMA MATA. Read More!

Asma e atuação do fisioterapeuta

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Gordura abdominal eleva risco de asma em mulheres

Mulheres com muita gordura abdominal têm mais risco de ter asma, mesmo que não estejam acima do peso. É o que mostra um novo estudo publicado na revista "Thorax". A pesquisa foi realizada com 88.304 voluntárias nos EUA. 

Entre aquelas com IMC (índice de massa corporal) normal (até 24,9 kg/m2), as que tinham a medida da cintura maior do que 88 cm tiveram três vezes mais chance de ter a doença. 

A pesquisa também confirmou que a asma é mais frequente em pessoas com sobrepeso e obesas. 

Quanto maior o peso, maior o risco de asma. A prevalência de asma em mulheres com obesidade leve foi de 10,9%, nas com obesidade moderada, de 13,4%, e nas com obesidade grave, de 18,3%. 

"Sabe-se que a obesidade é um fator de risco para a asma, mas poucos estudos avaliaram os efeitos da gordura visceral sobre o problema", escreveram os autores do trabalho. 

A coordenadora, Julie von Behren, disse à Folha que a gordura visceral é metabolicamente diferente de outros tipos de gordura e pode ter efeitos mais profundos sobre a saúde. "Trata-se de uma gordura metabolicamente mais ativa, que pode produzir compostos que causam inflamação. E a inflamação pode estar relacionada à asma", afirma. 

O pneumologista Roberto Stirbulov, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, lembra que a asma é uma doença inflamatória, que pode surgir ou piorar com as substâncias pró-inflamatórias produzidas pela gordura abdominal. 

A maioria das pesquisas aponta que a ligação entre obesidade e asma é mais forte entre mulheres. Um estudo feito com 3.000 adolescentes brasileiros, por exemplo, mostrou que a doença é uma vez e meia mais prevalente em meninas acima do peso do que nas com peso normal ou desnutridas. Com os meninos, essa relação não foi encontrada. O estudo será publicado no mês que vem na revista "Journal of Asthma". 

A razão para a diferença entre gêneros deve ser hormonal, mas ainda não está bem estabelecida, segundo o alergista e imunologista Fábio Kuschnir, presidente da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia) - regional Rio de Janeiro, autor do trabalho. 

Um fato que reforça a relação entre asma e sobrepeso é que pacientes obesos que fazem cirurgia de redução do estômago acabam também melhorando da asma. "A redução de peso pode melhorar a função pulmonar", afirma Kuschnir. 

Carcaça de gordura 

Outra hipótese é que a obesidade pode levar a uma redução da função do pulmão pelo fato de o órgão ficar envolto por uma carcaça de gordura, o que faz com que ele não se expanda completamente. Com isso, a pessoa passa a ter uma respiração mais rápida e curta, o que gera mudanças na musculatura dos brônquios e sobrecarrega o pulmão, predispondo à asma. 

Segundo Kuschnir, o assunto começou a vir à tona quando se notou que, à medida que se instalava uma epidemia de obesidade no mundo, os índices de asma também cresciam. Além disso, os médicos notavam que os pacientes com asma muitas vezes estão acima do peso. 

Fátima Emerson, alergista da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, conta que os especialistas costumavam creditar a relação ao fato de os obesos se exercitarem menos -o exercício melhora a função pulmonar. Outra hipótese era a de que o uso de corticoides levasse ao ganho de peso. Ela lembra que a asma é uma doença genética e que, para manifestá-la, os obesos devem ter predisposição.


Fonte: Folha de S.Paulo

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BRONQUIOLITE OU ASMA INFANTIL?


A bronquiolite é uma doença das vias respiratórias, mais frequente após infecções respiratórias, frequenteente confundida com a asma. Mas tratam-se de doenças diferentes. A bronquiolite geralmente se manifesta em indivíduos com saúde frágil. A infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) leva à inflamação nos bronquíolos, que passam a produzir mais muco (catarro), que se acumula e acaba obstruindo a passagem do ar.

A doença acomete principalmente as crianças menores de dois anos de idade, especialmente os meninos, que apresentam naturalmente as vias aéreas inferiores - brônquios e bronquíolos - mais estreitas que as das meninas.
Ocorre com maior frequência nos meses de outono e inverno, período em que ha maior circulação deste vírus.
Sintomas como, tosse, falta de ar, chiado no peito, febre, obstrução nasal e a perda de apetite são alguns dos indícios da bronquiolite. Alguns casos trazem também febre alta e persistente e recusa de alimentos e líquidos, levando o paciente à desidratação.
Por conta dos diversos sintomas comuns a ambas, nem sempre é simples diferenciar a bronquiolite de uma crise de asma. Por este motivo, ao primeiro sinal de desconforto, é importante encaminhar a criança para avaliação médica. Só o especialista poderá identificar a doença corretamente e orientar o tratamento mais adequado, rapidamente. Conforme o estado de saúde do paciente, a presença de complicações e o grau de desconforto respiratório, podem ser necessários hospitalização e fisioterapia respiratória.
"As doenças respiratórias agudas são as principais causadoras de morte infantil. Isso porque, nem sempre as famílias conseguem identificar que a irritação e a recusa alimentar do bebê são, na realidade, uma enorme falta de ar. Por isso é muito importante que a mãe esteja atenta a estes sintomas e encaminhe seu filho ao médico tão logo perceba os sintomas", explica a dra. Marina Buarque de Almeida, pneumopediatra da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
Mas não são apenas as crianças que são acometidas pelo Virus Sincicial Respiratório. Segundo a dra. Marina, o VSR pode também acometer os maiores e inclusive adultos. "Nestes casos geralmente são acometidos apenas as vias aéreas superiores, como nariz, laringe, faringe e seios paranasais, não chegando aos pulmões, como acontece em crianças menores".

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Asma e emoção

Muitos são os estudos que procuram vincular estados emocionais e o desenvolvimento de asma brônquica. Biologicamente, a psico-fisiopatologia da asma tem forte relação com os elementos associados à alergia, de um modo geral. As teorias mais aceitas para explicar o broncoespasmo dizem respeito ao efeito hipersensibilidade colinérgica .

A ansiedade tem sido apontada por vários autores como tendo importante ocorrência entre asmáticos. Testes de avaliação (escalas) de ansiedade demonstram níveis bem mais altos entre os asmáticos, mesmo entre episódios agudos de asma ou fora das crises.

Outros autores constatam ocorrência significativa de dificuldades comportamentais e de ajustamento entre crianças portadoras de asma precoce. No Canadá alguns pesquisadores comparam a psicopatologia associada à asma e ao diabetes em crianças e adolescentes e constatam altos índices de ansiedade e transtornos comportamentais. Entre esses transtorno comportamentais, a Hiperatividade foi dos mais encontrados em crianças asmáticas.

Alguns autores, entretanto, não encontraram aumento de ansiedade nas crianças asmáticas tão expressivo quanto encontraram nos pais dessas crianças, ou alegam que a ansiedade dos pacientes asmáticos ocorreria mais por conseqüência que como causa da asma. Stores entende que as ocorrências psicopatológicas dos asmáticos poderiam ser decorrentes das noites mal dormidas e do medo da própria doença.

Há ainda alguns estudos mostrando o bi-comprometimento de agravo entre a Síndrome do Pânico, piorando crises de asma, e a asma piorando crises de Pânico. De qualquer forma, sempre ressaltando a importância do componente ansioso.

Além da ansiedade, Puura entende que a Depressão infantil poderia ter uma correlação somática, através da asma, por exemplo, e um componente comportamental através da rebeldia, agressividade e hiperatividade.

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